Cemitério de árvores
Cemitério de árvores
Por Rubem Alves, para o Portal Aprendiz
Minhas memórias estão cheias de árvores. Menino, passando férias no sobrado do meu avô, eu me levantava e saia para a praça vazia. Lá, eu me assentava embaixo de uma tipuana cheia de pássaros pretos.
Na curva do trem havia uma gigantesca paineira, velhíssima, com um buraco no tronco. Diziam que era morada de sacis. Mas nunca vi nenhum. Depois do jantar, lá pelas cinco, os homens e as crianças se ajuntavam em volta da paineira para contar casos de assombração. Terminado um caso ninguém o desmentia. A roda de casos tinha de continuar. E, para continuar, era só dizer: "Mas isso não é nada..."
E era obrigatório que todo jardim tivesse um pé de jasmim e outro de romã, de sementes mágicas para trazer riqueza se colocadas na carteira na noite de passagem de ano.
Faz muitos anos tive saudade do meu pai e escrevi sobre um arbusto que ele me deu. Começava assim:
"Tenho, no meu jardim, um pé de rosmaninho. Ele é, em tudo, igual a todos os outros pés de rosmaninho que há por este mundo. Aquele cheirinho gostoso quando a gente esbarra nas folhas; brancas, com uma gota de rosa, milhares de florinhas, quando chega o tempo; e as abelhas sem conta que se juntam e zumbem. Gosto de me deitar na rede, perto dele, quando as noites são frescas e há aquela brisa... Às vezes me descubro conversando com ele e já cheguei mesmo a agradar as suas folhas, como se ele sentisse. Nunca se sabe ao certo. É igual a todos os demais, exceto numa coisa: foi o meu pai que me deu a mudinha. Meu pai já morreu. O rosmaninho guardou o seu gesto..."
De uma árvore cujo nome não sei, uma árvore de cemitério, que faz sombra aos túmulos de Abelardo e Heloisa, roubei umas folhas e pus num quadro. Olho para as folhas e me lembro do amor dolorido dos dois.
É que existe uma crença que, chegado o fim da vida, os mortos se transformam em pássaros que precisam de árvores para pousar. Na versão original da história da Cinderela não havia Fada Madrinha. O que havia era a sua mãe morta que, para não abandoná-la, passou a viver numa árvore onde moravam os pássaros que protegiam a menina.
Vivo, inaugurei o cemitério de árvores. Plantei a minha árvore, um jequitibá. Acho que porque, no início do meu escrever sobre a educação, usei o jequitibá como metáfora do educador que, sem ter ido a qualquer escola, nasce selvagem no meio da floresta sem que ninguém plante. Arrependi-me. Achei a metáfora presunçosa, com mania de grandeza. Pudesse mudar, eu plantaria uma árvore que desse frutos, por amor aos passarinhos.
Aí me perguntei: por que plantar árvores só para os mortos? Pois Bach não compôs o coral "Alle Menschen müssen sterben", todos os homens devem morrer? Pus-me a plantar árvores para os vivos.
Duas cerejeiras japonesas para a Tomiko e o Hans. O Jether e a Lucília quiseram uma árvore de louro e outra de canela. Plantei também uma árvore para cada neta, formando um "c" com uma pracinha no meio.
Esse jardim já não é meu. Não sei qual foi o destino das árvores. Nem sei se os seus nomes continuam os mesmos. Mas, se ainda fosse meu, eu mandaria esculpir numa prancha de madeira esse curto poema de Alberto Caeiro que diz tudo o que é para ser dito:
"Ah, como os mais simples dos homens são doentes e confusos e estúpidos ao pé da clara simplicidade de existir das árvores e das plantas. Sejamos simples e calmos como os regatos e as árvores, e Deus amar-nos-á fazendo de nós belos como as árvores e os regatos, e dar-nos-á verdor na sua primavera e um rio aonde ir ter quando acabemos..."
(Envolverde/Aprendiz)
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.
Norte-americanos querem jardins mais verdes
Norte-americanos querem jardins mais verdes
Por Adrianne Appel, da IPS
Boston, 16/6/2010 – Um movimento radical e alternativo cresce nos bairros residenciais dos Estados Unidos. De costa a costa, gente comprometida com o meio ambiente substitui seus gramados quimicamente tratados por hortas orgânicas, jardins com flores autóctones ou simplesmente pedras. “É um desafio que cresce a cada ano”, disse Steven Saffier, coordenador do programa At Home (Em Casa), da Audubon Society, que incentiva a população a deixar que seus gramados cresçam livremente para que pássaros e outros animais possam viver neles.
Estes jardins bem cuidados costumam ocupar mais de 1.300 metros quadrados nas frentes de muitas casas norte-americanas. E agora são alvo de uma transformação ecológica, na medida em que seus proprietários se conscientizam sobre seu impacto ambiental mais amplo. Grupos tão diversos como clubes dedicados à decoração de jardins urbanos e organizações ambientalistas divulgam a mensagem de que grama luxuosa prejudica a biodiversidade e constitui um desastre ecológico. Essas fontes “contribuem com a mudança climática”, afirmou Steven à IPS. “Os combustíveis fósseis usados na produção de fertilizantes e pesticidas agregam dióxido de carbono no meio ambiente”, acrescentou.
Nos Estados Unidos, a grama doméstica é cultivada principalmente a partir de material não autóctone que exige grande quantidade de água, pesticida e fertilizante. Muitos proprietários desejam sua perfeição, que se resume na ideia de um manto verde-escuro de grama cortada quase na raiz, sem ervas. Os fabricantes de fertilizantes e outros produtos químicos promovem essa imagem. Agora, tanto os proprietários quanto as corporações e as escolas começam a assumir a ideia de criar um espaço silvestre onde a natureza possa prosperar.
Na semana passada, Steven ajudou a plantar uma variedade nativa de um arbusto de especiaria no jardim de uma escola no Estado da Pennsylvania. O grupo nem bem acabara de cobrir as raízes da planta com terra quando uma borboleta cauda de andorinha pousou sobre uma folha para desovar. “Esse é o tipo de coisa que buscamos, em maior escala”, disse Steven. O que acontece nos jardins individuais se multiplica muitas vezes, porque nos Estados Unidos são dedicadas mais áreas a essas gramas do que a qualquer outro cultivo irrigado, segundo uma análise da agência espacial norte-americana Nasa.
O Lawn Institute representa a indústria da grama, que fatura US$ 35 bilhões ao ano, e estima que no país são cultivados mais de 10 milhões de hectares. Antes, nessas terras havia árvores nativas, arbustos, grama natural e ecossistemas inteiros. Atualmente, não mais. “Os ciclos hidrológicos, de nutrientes e nitrogênio que ocorrem naturalmente em ecossistemas biodiversos estão completamente ausentes” nessas áreas domésticas, disse Steven.
Estas áreas verdes, localizadas uma junto à outra, contribuíram para uma grave redução da população de aves nos Estados Unidos, destacou Steven, explicando que esta paisagem despojada “nada oferece” a esses animais. Dos pássaros, 96% comem principalmente insetos, que por sua vez estão altamente especializados e se alimentam de apenas um, dois ou três tipos de plantas nativas. “Os pássaros não encontrarão insetos na grama” das casas, por isso não terão como alimentar seus filhotes, acrescentou.
Das 800 principais espécies de aves existentes nos Estados Unidos, 200 diminuíram perigosamente, segundo a Audubon Society. As populações de calandra de pradarias e outras espécies próprias das pastagens da região meio-ocidental do país diminuíram 60%, enquanto os pássaros das florestas, como o tangará escarlate, sofreram queda semelhante. Aves típicas dos arbustos, como o brown thrasher, diminuíram 75% desde 1966, segundo o North American Breeding Bird Survey (Estudo Norte-Americano de Reprodução de Aves), elaborado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos e pelo Ministério do Meio Ambiente do Canadá.
Dos 30 pesticidas de uso mais comum em jardins, mais da metade é tóxica para pássaros e peixes, e estão vinculados ao câncer e a defeitos congênitos nos seres humanos, disse a organização ambiental Beyond Pesticides. Além disso, 11 interferem com os hormônios reprodutivos, entre outros, tanto em humanos como em animais. Esta organização disse que, anualmente, cerca de 78 milhões de lares norte-americanos empregam pesticidas em seus jardins. Por outro lado, a grama tende a repelir a água da chuva, por isso os produtos químicos escorrem pelas águas superficiais e subterrâneas, aumentando a possibilidade de seres humanos e animais ficarem expostos a eles, afirmou à IPS o diretor do projeto da Beyond Pesticides, John Kepner.
Originalmente, as entradas de residências com grama eram uma flagrante ostentação da riqueza europeia. Atualmente, continuam como símbolos de status, disse Julian Agyeman, diretor de Política e Planejamento Urbano e Ambiental na Universidade Tufts. A Food Not Lawns, uma organização internacional com filial em muitas comunidades dos Estados Unidos, trabalha com pessoas que estão prontas para abandonar completamente essa grama doméstica como símbolo de condição social. A isto “chamamos erradicação de grama”, disse à IPS Steve Mann, cofundador da filial dessa organização na cidade do Kansas, no Estado do Missouri.
A população é incentivada a plantar nessas áreas árvores frutíferas, incluindo nogueiras e amendoeiras, bem como verduras. Desde 2007, 250 pessoas fizeram consultas junto à Organização das Nações Unidas. A Food Not Lawns busca delimitar áreas da cidade para implementar essas mudanças, para que as pessoas possam vender o excedente de seus produtos da horta e contratar outras para ajudá-las. Entretanto, existe uma surpreendente oposição entre os agentes imobiliários locais.
Segundo Steve, Kansas apresenta oportunidades infinitas para estas hortas, devido à grande quantidade de espaço atualmente ocupado por grama. Penny Lewis, diretora-executiva da Ecological Landscaping Association, disse à IPS que “uma vez que o símbolo de status é uma grama de fantasia, é preciso fazer com que seja amigável com o meio ambiente”.
* Este artigo é parte de uma série de reportagens sobre biodiversidade produzida por IPS, CGIAR/Bioversity International, IFEJ e Pnuma/CDB, membros da Aliança de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustentável (http://www.complusalliance.org).
Site indica local onde levar recicáveis
No site abaixo vc encontra onde levar seu materail reciclavel, além de outras informaçoes interessantes sobre materiais recicláveis
http://www.cempre.org.br/
Árvores com poda inadequada são risco em dias de chuva
Árvores com poda inadequada são risco em dias de chuva
Em grandes cidades como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, onde, no fim de semana, as árvores danificaram carros e a rede elétrica, em dias de tempestade, muitas árvores vão parar no chão. Em São Paulo, uma delas atingiu um maratonista. Ele teve traumatismo craniano e está na UTI em estado grave.
No último temporal, na zona oeste de São Paulo, pelo menos 40 árvores foram derrubadas. Segundo os moradores da região, muitas delas eram antigas e já deveriam ter sido substituídas. Em uma rua, uma árvore tombou sobre a rede elétrica.
Para o ambientalista Ricardo Henrique Cardim, além dos fatores naturais, a poda inadequada pode favorecer a queda das árvores. “A árvore sofreu uma poda em um galho muito grande e a árvore não conseguiu cicatrizar esse machucado. Os cupins acabaram entrando. Essa árvore, possivelmente, está oca. Se existe uma manutenção, uma fiscalização, conseguimos detectar que a doença está ainda em seu início”, afirma o fundador da Associação dos Amigos das Árvores de São Paulo.
Outro problema é fazer a poda apenas de um lado, só para livrar os fios da rede elétrica. “Quando cortamos todo o lado esquerdo da árvore, por exemplo, sobra peso para o lado direito. Isso compromete o equilíbrio da planta. Em uma tempestade, um vento forte, essa árvore pode cair e gerar acidentes graves na cidade”, diz Cardim.
A calçada também pode ser um fator determinante para . “Calçada construída assim acaba matando a árvore. Ela não consegue receber os seus nutrientes e água suficiente para o seu desenvolvimento, e pode apodrecer a raiz, além do que contribui para enchente da cidade”, aponta o fundador da Associação dos Amigos das Árvores de São Paulo Ricardo Henrique Cardim.
A tempestade de domingo (14) provocou a queda de 110 árvores só na capital paulista. A Prefeitura de São Paulo garantiu que, nos últimos dois anos, de cada dez pedidos de poda, oito foram atendidos. A cidade tem cerca de 2 milhões de árvores. (Fonte: G1)
http://noticias.ambientebrasil.com.br/noticia/?id=52474
Goodguide, uma revolução no consumo consciente
Goodguide, uma revolução no consumo consciente
Por Ricardo Voltolini (*)
Está a caminho uma revolução no consumo consciente.
E ela atende pelo prosaico nome de GoodGuide ou Guia do Bem em tradução livre e não autorizada. Guarde bem este nome porque provavelmente ouvirá falar muito dele nos próximos anos, antes talvez de virar notícia no Jornal Nacional. Trata-se de uma ferramenta útil para quem deseja, no momento de fazer compras, obter informações rápidas e confiáveis sobre os impactos socioambientais de um determinado produto ou marca.
Essa experiência de associação entre tecnologia e consumo responsável começou a tomar corpo recentemente nos Estados Unidos. Com um aplicativo instalado no iPhone, desses que lê códigos de barra, um consumidor norte-americano pode, enquanto passeia entre as gôndolas de um supermercado, enviar informações para um banco de dados que, em segundos, revela por exemplo, a existência de substâncias tóxicas em um produto, se houve ou não exploração de trabalhadores em sua produção ou mesmo o quanto a empresa fabricante está preocupada com a conservação do meio ambiente. Simples e prático, ajuda o consumidor mais engajado a fazer uma escolha consciente, sem grande esforço para desvendar rótulos que, quando existem, parecem elaborados para desinformar.
O GoodGuide reúne hoje dados de 75 mil produtos, que vão desde os de limpeza para casa até alimentos, cuidados pessoais e brinquedos. Com ele, é possível comparar itens similares e concorrentes, acessar um ranking com atribuição de notas e até mesmo criar uma lista de favoritos usando critérios cruzados de saúde, segurança e compromisso socioambiental. A ferramenta nasceu em 2007 de um insigth doméstico de Dara O´Rourke, professor do Departamento de Ciência Política e Gestão Ambiental Universidade de Berkeley. Antes de sair de casa para passear com a filha de cinco anos, ao ler o rótulo do protetor solar, ele teve dúvidas quanto à composição química do produto.
Pesquisando depois, descobriu a existência de uma substância tóxica potencialmente danosa á saúde humana. Ocorreu-lhe que muitos outros pais e mães também deviam ter as mesmas dúvidas em relação às matérias-primas de produtos utilizados por seus filhos. E que milhares de consumidores não têm a mais remota ideia do que contém produtos de consumo aparentemente inofensivos nem de como – e sob que condições -- as empresas o produzem.
Empreendedor, O´Rourke abriu uma organização sem fins lucrativos e buscou o apoio de cientistas, especialistas em comportamento do consumidor e profissionais de indústria. Também associou-se à Universidade da Califórnia, ao Massachusetts Institute of Technology, Google, Amazon, eBay e PayPal. O uso do GoodGuide cresce a cada dia na esteira da expansão do movimento Cultural Creatives, formado hoje por uma turma de 70 milhões de norte-americanos menos egocêntricos e mais preocupados com o outro, com a qualidade de vida e com a saúde do planeta.
Analisando sob o aspecto da evolução do consumo consciente, o GoodGuide pode fazer mais diferença do que qualquer regulação específica. Não que criar normas não seja necessário. Pelo contrário, elas funcionam como mecanismo de pressão para mudança de práticas. É que o engajamento de consumidores cidadãos, e a consequente pressão advinda disso, acabarão por mudar mais rapidamente as empresas do que eventuais sanções por descumprimento de regras que estão sendo e serão criadas para proteger consumidores. Ao tornar acessíveis informações úteis sobre impactos que, mantidas na penumbra, antes desequilibravam a relação entre quem produz e quem compra, a ferramenta naturalmente empodera o consumidor nesses tempos de crescente interesse pelas questões socioambientais e de saúde.
O GoodGuide elimina, de partida, um obstáculo importante no processo de mudança de comportamento do consumidor. Na medida em que disponibiliza instantaneamente informações úteis, possibilitando a comparação, ele preenche um vácuo deixado pela ausência de indicadores claros e compreensíveis. Mais do que isso, rompe com a chamada “inércia cognitiva”, simplificando muito o processo de tomada de decisão. Sabe-se que a mente humana, diante de muitas alternativas de produtos, do dispêndio de energia mental para avaliar as informações de rótulos/embalagens e do tempo necessário para tal tarefa, procura sempre a opção mais rápida/satisfatória, nem sempre a ideal.
Ao conferir poder ao consumidor, o GoodGuide veio para ficar nessa era de transparência radical. Bom para consumidores e empresas. Com ele, os consumidores poderão fazer do ato de consumo um instrumento de efetiva cidadania; e mais do que isso, um exercício de altruísmo em nome de um mundo melhor e mais saudável. As empresas, por sua vez, terão de mudar processos e práticas na direção da sustentabilidade se não quiserem perder sintonia (e, por tabela pontos de market share) com seus cada vez mais bem informados e exigentes clientes.
Bem-vindo seja o GoodGuide. Aviso aos navegantes brasileiros: como muitos produtos são vendidos globalmente, uma passeada pelo site http://www.goodguide.com pode ser um bom primeiro exercício para avaliar quão sustentáveis são itens que você eventualmente compra aqui no Brasil.
* Ricardo Voltolini é publisher da revista Ideia Socioambiental e diretor da consultoria Ideia Sustentável: Estratégia e Inteligência em Sustentabilidade
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Incentivo a criação de áreas verdes nos empreendimentos
Incentivo a criação de áreas verdes nos empreendimentos
RIO - Neste verão de calor escaldante, a visão de um Rio de Janeiro repleto de telhados verdes assemelharia-se ao paraíso. De fato, as vantagens são muitas. Além de aumentar a cobertura vegetal nos grandes centros urbanos, deixando o ar mais puro, esses jardins suspensos proporcionam um conforto térmico que reduz os gastos com a refrigeração do ambiente. De quebra, as plantas e a terra funcionam como uma espécie de filtro natural da água da chuva, que poderia ser captada e armazenada para uso em chuveiros, pias e vasos sanitários e na irrigação dos jardins, por exemplo.
No Rio, a Secretaria municipal de Meio Ambiente iniciou, ano passado, um projeto-piloto de instalação de telhados verdes no Morro Dona Marta, em Botafogo. A ideia, no entanto, ainda não emplacou. Mas, de acordo com o órgão, o assunto será retomado em breve. Enquanto isso, São Paulo sai na frente. Um projeto de lei (115/2009) determina que os novos condomínios com mais de três unidades agrupadas verticalmente deverão implantar um telhado verde. Não há, no entanto, incentivo financeiro.
- Os telhados verdes estão alinhados com o pilar de sustentabilidade, e deveriam ser incentivados em todas as cidades brasileiras, pois os benefícios são inúmeros. E, ao contrário do que muita gente pensa, a manutenção exige apenas cuidados básicos - explica a paisagista Ana Iath.
Em Nova York, uma lei aprovada em 2008, dando desconto no imposto predial a quem planta jardins na cobertura, surtiu, em pouco tempo, um resultado melhor do que o esperado. Graças à ela, a cidade ganhou, em um ano, pedidos de licenciamento para 87,7 mil metros quadrados em coberturas verdes - quase 11 Maracanãs. Os responsáveis pelas obras terão descontos no pagamento de impostos até o valor de US$ 100 mil por ano.
Em solo brasileiro, ou melhor, paulistano, uma nova medida adota sanções verdes para conter a força da natureza. Com o intuito de amenizar o problema das enchentes - apenas entre os dias 22 e 26 de janeiro, choveu na cidade 40% do previsto para todo o mês - a prefeitura está exigindo mais verdes nos novos prédios.
Publicada no fim do ano passado, portaria da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da cidade de São Paulo aumenta para 20% da área total dos novos empreendimentos o percentual de vegetação obrigatório. Antes, a exigência era de 15%. Neste caso, os jardins devem estar no chão mesmo. Mesmo se não houver vegetação nativa na área, ela deverá ser incluída nos projetos, com o plantio de espécies nativas ou de espécies exóticas. O objetivo é absorver as águas das chuvas.
Fonte: O Globo.
Código Ambiental Ruralista
Código Ambiental Ruralista
Por Redação da SOS Mata Atlântica
A Câmara dos Deputados instalou recentemente uma Comissão Especial criada para analisar as propostas de alteração do Código Florestal, incluindo o projeto de Lei de Código Ambiental de autoria do presidente da Frente Parlamentar Ruralista e que pretende revogar e alterar as principais leis ambientais brasileiras: lei de crimes ambientais, Código Florestal, lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação e lei da Política Nacional de Meio Ambiente.
O processo de instalação dessa Comissão, que levou a uma composição notoriamente tendenciosa, formada por maioria de membros da bancada ruralista e que, portanto, não representa a diversidade de setores da sociedade brasileira interessada na sustentabilidade do nosso desenvolvimento, aponta para intenções retrógradas de eliminar direitos e flexibilizar garantias socioambientais conquistadas ao longo dos últimos 21 anos de vigência da Constituição Federal brasileira de 1988.
Nos últimos meses o governo brasileiro e o Congresso Nacional tomaram decisões temerárias sobre a legislação ambiental. A revogação da legislação da década de 1990 que protegia as cavernas brasileiras; a aprovação da MP 458 que incentivou a grilagem de terras, a concentração fundiária e o avanço do desmatamento ilegal na Amazônia; a edição do Decreto 6848, que, ao estipular um teto para a compensação ambiental de grandes empreendimentos, contraria decisão do Supremo Tribunal Federal, que vincula o pagamento ao grau dos impactos ambientais.
Além disso, o governo brasileiro tem negligenciado a política ambiental, mantendo paralisados na Casa Civil da Presidência da República várias propostas de criação de unidades de conservação.
As organizações da sociedade brasileira abaixo assinadas denunciam esse ataque à legislação ambiental. É inaceitável que às vésperas da reunião da Convenção de Clima, em Copenhague, momento em que o Brasil discute compromissos de redução do desmatamento, e das emissões de gases causadores do efeito estufa, o Congresso Nacional tente promover retrocessos na legislação ambiental.
Os compromissos de redução de desmatamento que o Brasil assumiu não serão alcançados e as áreas hoje ambientalmente comprometidas jamais serão recuperadas se o marco regulatório existente for desconfigurado, como propõe a Bancada Ruralista com a conivência e o apoio da base do Governo no Congresso Nacional.
Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável – FBOMS
Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social
Grupo de Trabalho Amazônico - GTA
Rede de ONGs da Mata Atlântica - RMA
Fórum Carajás
Assembléia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro – APEDEMA-RJ
Amigos da Terra - Amazônia Brasileira
Associação Alternativa Terrazul
Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida - APREMAVI
Associação de Proteção ao Meio Ambiente - APROMAC
Centro de Estudos Ambientais – CEA
Ecologia & Ação – ECOA
Fundação SOS Mara Atlântica
Fundação Vitória Amazônica - FVA
Greenpeace
Grupo Ambientalista da Bahia - GAMBA
Grupo de Defesa e promoção Socioambiental - GERMEN
Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – IDEC
Instituto Centro Vida – ICV
Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola - IMAFLORA
Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia - IMAZON
Instituto Ipanema
Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia - IPAM
Instituto Socioambiental - ISA
Instituto Socioambiental da Baía da Ilha Grande - ISABI
4 Cantos do Mundo
Mater Natura - Instituto de Estudos Ambientais
Movimento pela Despoluição, Conservação e Revitalização do Rio do Antônio - MODERA
Programa da Terra - PROTER
TNC
WWF Brasil
Vitae Civilis - Instituto para o Desnvolvimento, Meio Ambiente e Paz
(Envolverde/SOS Mata Atlântica)
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Árvores invasoras são removidas do São Lourenço
Árvores invasoras são removidas do São Lourenço
serão retiradas 20 árvores das cerca de 160 identificadas dentro do parque
20/10/09 às 17:16 | Redação Bem Paraná, com informações da Prefeitura de Curitib
Exóticas podem causar danos ao meio ambiente (foto: Valdecir Galor/SMCS) A Prefeitura de Curitiba está removendo árvores exóticas invasoras do parque São Lourenço, que causam danos ao meio ambiente. A retirada será gradativa. Nesta etapa, que vai até esta quinta-feira (22), serão retiradas 20 árvores das cerca de 160 identificadas dentro do parque. A remoção segue as diretrizes do Plano de Manejo do parque, documento que detalha as regras de uso e preservação dos parques.
Para cada árvore exótica invasora serão plantadas cinco mudas de espécies nativas da região. O plantio será feito em parceria com alunos de escolas do entorno do parque, com apoio da Associação de Amigos do Parque São Lourenço (AMA-São Lourenço), em novembro próximo.
A Secretaria do Meio Ambiente selecionou frutíferas para o plantio,como Araçá, Ariticum, Pitanga, Ingá, Ipês, Vacum, Pinheiro-Bravo e Branquilho. No total, o parque vai ganhar 800 árvores nativas, que serão plantadas gradativamente, conforme as exóticas forem sendo removidas.
A maioria das árvores invasoras que estão sendo removidas é da espécie Pau-Incenso. Pinus e Alfeneiro também estão na lista. A Secretaria do Meio Ambiente aproveitou para remover do parque uma araucária que estava apodrecida e com risco de queda.
Segundo a engenheira florestal da Secretaria do Meio Ambiente Valquíria Pizatto, o grau de contaminação das espécies invasoras é tão grande, que brotos já são vistos também fora do parque. "A capacidade de invasão dessas espécies é assustadora. A remoção é a única forma de controle", diz Valquíria.
As plantas exóticas invasoras se multiplicam rapidamente, ocupando espaços da vegetação nativa. Essas espécies invasoras quebram ciclos ecológicos naturais. A substituição gradativa dá à cidade a oportunidade para contribuir com a restauração ambiental das áreas naturais de floresta com araucária ao redor da cidade.
Primavera das plantas vai acabar mais cedo
Primavera das plantas vai acabar mais cedo
Quem ainda quiser ver ipês-amarelos, jacarandás-mimosos e sibipirunas floridos, deve correr para os parques de São Paulo enquanto há tempo.
O inverno chuvoso que acabou na semana passada antecipou a floração de várias espécies de árvores comumente encontradas na cidade. Com isso, a tendência é que esse colorido também desapareça fora de época, ainda nas primeiras semanas da primavera.
"Não é que a primavera do nosso calendário vai ter menos flores. Foi a primavera das plantas que começou desta vez mais cedo", diz Adriana Fidalgo, pesquisadora do Instituto de Botânica de São Paulo.
Ela explica que as chuvas de agosto e setembro estimularam o metabolismo das plantas. Combinada com dias ensolarados, as águas acabaram funcionando "como um gatilho" para a floração.
Exemplo disso é a quaresmeira, típica dos três primeiros meses do ano, e que está florescendo em setembro. Os ipês-amarelos, cujas flores começavam a brotar apenas em setembro, já estavam coloridos em agosto. Agora, no final de setembro, estão vazios de flores.
De acordo com a pesquisadora, a antecipação da época das flores não é incomum. É um fenômeno típico em cidades grandes, onde as árvores têm mais contato com a poluição, além de estarem mais vulneráveis a alterações artificiais de temperatura e à pouca permeabilidade do solo.
Isso não significa, no entanto, que o período das flores já tenha chegado ao fim. As azaleias, as paineiras e os malvaviscus, por exemplo, começaram a florescer em setembro. As primaveras também devem demorar para desaparecer da paisagem.
Além dessas, ainda é possível encontrar sibipirunas (amarelas, já no auge), ipês-brancos, patas-de-vaca (brancas e rosadas) e tipuanas (amarelas).
"Várias outras plantas ainda estão brotando. Se as chuvas continuarem e o frio der trégua, podemos esperar mais flores para a estação", diz Adriana.
A tendência, conforme previsão do CPTec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), é que isso de fato aconteça. A primavera deve ser chuvosa e ter temperaturas mais altas do que a média para o período. (Fonte: Folha Online)
http://noticias.ambientebrasil.com.br/noticia/?id=48558
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